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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Lendas - O Golem de Praga


Golem - é um ser artificial mítico, associado à tradição mística do judaísmo, particularmente à cabala, que pode ser trazido à vida através de um processo mágico.
O golem é uma possível inspiração para outros seres criados artificialmente, tal como o homunculus na alquimia e do romance moderno Frankenstein, obra de Mary Shelley.
No folclore judaico, o golem (גולם) é um ser animado que é feito de material inanimado, muitas vezes visto como um gigante de pedra. No hebraico moderno a palavra golem significa "tolo", "imbecil", ou "estúpido". O nome é uma derivação da palavra gelem (גלם), que significa "matéria-prima".

Na tradição judaica, o Golem é geralmente conhecido por ser uma criatura artificial criada por artes mágicas, que serve o seu criador. A palavra “golem” aparece apenas uma vez na Bíblia (Salmo 139:16), que em hebraico se traduz por “massa sem forma”. O Talmude usa a palavra com o significado de “informe” ou “imperfeito”, e de acordo com a interpretação talmúdica, Adão é chamado “golem”, significando “corpo sem alma”, nas primeiras doze horas de vida. Alguns místicos acreditam que a criação do Golem é tão só simbólica, como uma experiência espiritual que se segue a um ritual religioso.

No folclore askhenazi hassídico, o Golem teria sido criado para cumprir tarefas difíceis, designadas pelos seus criadores. A história mais conhecida do Golem, está relacionada com o Rabi Judah Loew ben Bezalel, o Maharal de Praga (1513-1609). Diz a lenda que ele criou o Golem para proteger a comunidade judaica de Praga do “Libelo de Sangue”, (crendice antissemita, segundo a qual a matzá era confecionada com o sangue de uma criança cristã) e também para realizar trabalho braçal, de forma aliviar a vida das pessoas mais necessitadas.
Certas fontes afiançam que muito embora o Golem tenha sido criado fisicamente, seria necessário escrever-lhe na testa as letras aleph, mem, tav, que formam a palavra emet – “verdade”, para que a criatura tivesse vida. Apagando a letra aleph, ficariam só as letras mem e tav, que é met – “morte”.


Outra versão conta que o Rabi Loew construiu um corpo humano com lama do rio Moldava (Vltava), animando-o de seguida com a sua ciência cabalística, e colocando-lhe um Chem (nome do Eterno) sob a língua. Às sextas-feiras, antes do cair da noite, o Rabi retirava o Chem que animava o seu Golem; ele tornava-se então num corpo inanimado até ao fim do Shabat, momento em que o cabalista lhe tornava a dar vida. Mas numa dada sexta-feira, graves preocupações fizeram com que o Grande Rebb Loew esquecesse a medida de prudência que habitualmente tomava; assim, apenas o ofício de Shabat tinha começado no templo, o terrível companheiro, como que transtornado e tomado de furor, pôs-se a fazer tremendas destruições à sua volta. Logo, o Rabi Loew fez interromper o serviço de Shabat e retirado o Chem da boca do Golem. Conta-se que no fim daquele Shabat o Rabi terá destruído o seu perigoso servidor, quebrando-o em mil pedaços, que ainda hoje se encontram no sótão da velha sinagoga Staronová.



Uma das histórias mais populares é a de Pearl (mulher do Rabi Loew), que tinha por hábito pedir ao Golem que fosse buscar água, isto apesar dos repetidos avisos do Maharal, para que não usasse o Golem como serviçal. A dada altura, Pearl ter-se-á esquecido de dar a ordem para o Golem parar, quase provocando uma inundação.
De uma forma geral, todas as versões apresentam um Golem que fica fora de controlo, tendo o Maharal de o transformar novamente em barro. Embora se trate de uma lenda, o Golem é lembrado como uma espécie de robot, o que não deixa de ser curioso, já que a palavra robot (que tem origem na palavra robota, que em checo significa trabalho) é uma criação do romancista checo Karel Čapek, numa peça de 1920, pioneira da ficção científica, intitulada R.U.R (Rossumovi Univerzální Roboti), que trata da criação artificial de seres humanos pela biotecnologia.


Atualmente, o Golem de Praga é uma presença marcante na cidade. Desde postais ilustrados, livros ou T-shirts, não há como evitar a criatura.